16.6.09


 


A comunicação é a própria essência do ser humano. É através dela que os seres humanos trocam - ou não - as suas mensagens, afectando reciprocamente as suas vidas. O processo interpessoal da comunicação envolve formas verbais e não verbais de informação e ideias. Não se refere somente ao conteúdo mas também aos sentimentos e emoções que as pessoas podem transmitir numa mensagem.

A comunicação oral envolve diferentes formas de expressão: o tom de voz, a aceleração ou serenidade na colocação da voz, os seus diversos significados (linguagens verbais e não verbais) e são vários os aspectos que a constituem, sendo um deles, a mensagem que se pretende transmitir. Seja ela objectiva e explícita ou, pelo contrário, subjectiva e passível de ambiguidade.

 

Comunicar eficazmente pressupõe, sobretudo, saber falar e saber escutar. Por parte do emissor deve existir uma transmissão clara da mensagem, conhecimento do conteúdo a transmitir e domínio dos códigos utilizados (o idioma, por exemplo). No entanto, o emissor está em avaliação continua do receptor, devendo este ser o mais desprovido possível de elações e julgamentos de valor para que a mensagem transmitida tenha o mesmo significado de quando foi proferida e não seja adulterada, quer no seu contexto, quer no seu conteúdo. Saber escutar não significa aceitar tudo, nem ser passivo. A recepção, sendo activa, indica as mudanças de estratégia ao longo do processo. Da mesma forma que o emissor emite indicadores, os mesmos expressam a motivação do receptor e o seu interesse em que a comunicação se estabeleça com sucesso.

No processo comunicacional, a partir do momento em que a mensagem deixa de estar na posse do emissor, até que chega ao receptor, muitos são os factores que podem tornar-se barreiras à comunicação. O meio envolvente, as condições dos canais que funcionam como veículos da mensagem podem ser portadoras de ruído, dificultando ou impedindo a interpretação e compreensão da mensagem.

A interpretação pode ser um enorme obstáculo à comunicação. Podemos interpretar algo de forma diferente de quem o emitiu, assim como podemos ser interpretados de uma forma indesejada. O preconceito, por exemplo, funciona como ruído neste processo. As atitudes e reacções, aparentemente iguais, podem ser lidas de modo transversal, dependendo das circunstâncias e das pessoas envolvidas. Quantos mais receptores existirem, maior será a diferença notada. É necessário estabelecer regras, reunindo-se assim o mínimo de condições para que as pessoas se possam escutar e exprimir.

 

A comunicação deve ter como principio a aceitação do outro enquanto ser distinto e diferente, permitindo-nos colocar no seu lugar ao longo do processo. E, mesmo assim, nunca apreenderemos a totalidade da intenção e expressão do outro, uma vez que qualquer palavra ou acto dependerá de uma interpretação. Nossa ou de outra pessoa.

 

Isabel Ferreira e Alexandra Vaz

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 12:15  Comentar

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