9.2.09


 

Após o momento mais grave de uma crise, há uma redução do risco de suicídio?

  

É certo que, ultrapassada uma altura complicada, um período difícil, uma chamada crise (ó palavrinha omnipresente…), a alegria ou o puro alívio (O pior já passou…) que sentimos impelem-nos a darmos o assunto por encerrado e passarmos adiante, até porque sabemos que ficar a revolver águas passadas não faz bem à saúde.

 

Inúmeras alturas haverá em que esta é a melhor opção. Mas será que, depois de sabermos que uma pessoa, ainda mais se for próxima, tentou suicidar-se mas não conseguiu, conseguiremos permanecer neste descanso? Provavelmente não.

 

Provavelmente ela percorreu um caminho longo e penoso entre a primeira vez que pôs sequer essa hipótese e o momento em que a colocou em prática. Mesmo que tenhamos decidido ter sido uma “chamada de atenção”, não terá decorrido de uma dose de sofrimento demasiado difícil de comportar? Provavelmente uma pessoa só numa enorme desesperança decide suicidar-se, e provavelmente é um sentimento que corre fundo, não será simples de reverter. É verdade que o intento de terminar com a própria vida tem um pico e depois de algum tempo (sendo que o tempo acaba por não ser o mais importante mas sim o que nesse decorrer vai acontecendo) a pessoa ou o ultrapassa, com ou sem ajuda, ou pode tentar outra vez sim. Aliás, estudos referem que oitenta por cento das pessoas que consumam o suicídio não o fazem na primeira tentativa mas em tentativas posteriores. Provavelmente é porque pouca coisa mudou entretanto. Na dúvida mais vale sossegarmo-nos.

 

E, mesmo que tenhamos medo, mais vale acompanhar, disponibilizar os nossos ouvidos e o nosso amor, interessarmo-nos, perguntar, tentar ajudar de coração mas sem tomarmos sobre nós a responsabilidade da decisão última, que será sempre daquela pessoa, procurar outras ajudas.

 

Para assim, já mais sossegados, podermos confiar no significado da palavra “crise” em mandarim – ao que parece é formada pelos ideogramas “perigo” e “oportunidade” e consta que pode ser uma dádiva maior. Que o seja, para todos nós!

 

Ana A

 
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Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 01:10  Ver comentários (1) Comentar

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