24.7.09

 



 

Tendemos a interiorizar a ideia de que o ser humano é intrinsecamente bom, depositário à nascença de todas as virtudes e originalmente isento de defeitos. Sentimentos menos nobres decorreriam apenas de assimilações culturais, ou seriam socialmente adquiridos.

Essa idealização revela-se incompleta quando confrontada com a realidade, dificulta a compreensão e elevação dos comportamentos humanos e desresponsabiliza-nos perante os nossos actos.

 

A observação das outras espécies revela-nos comportamentos que consideramos nobres, acompanhados de outros que classificamos como indignos. Manifestações, entre outras, de avidez, de cobiça e de inveja, surgem lado a lado com gestos altruístas ou de abnegação. Uma observação mais atenta, permite-nos concluir que todos os comportamentos, altruístas ou egoístas, dos seres que rodeiam os humanos, se submetem a uma “lógica” egoísta de sobrevivência e perpetuação da espécie, suscitando-nos, por extrapolação, a formulação de questões angustiantes sobre o nosso próprio devir.

Tornar-nos-íamos então pessimistas absolutos e conformados, se não reparássemos que nos distinguimos das outras espécies pela capacidade que adquirimos de, criando abstracções, prever as consequências dos nossos actos, escolher um entre vários caminhos possíveis e contrariar os nossos genes.

 

Só lutando para que os sentimentos mais nobres prevaleçam e se afirmem por escolha própria, e não por efeito de qualquer determinismo, os poderemos considerar como verdadeiramente nobres. Só assim nos poderemos assumir como seres integralmente livres e superiores. E só assim seremos capazes de compreender e apoiar aqueles que, decorrente de qualquer incapacidade, estejam impedidos de influenciar o seu futuro.

 

José Quelhas Lima

 
Temas: ,
Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 00:39  Comentar

De Aníbal V a 28 de Julho de 2009 às 16:17
Não há dúvida: o Homem social e o Homem civilizado, são e serão sempre tarefas inacabadas. São um esforço e um trabalho para todos, todos os dias.

De Cidália Carvalho a 25 de Julho de 2009 às 16:30
Os nossos pais equipam-nos com algumas caracteristicas, muitas delas bem visiveis por serem fisicas, herdemos também, muito do nosso caracter.
Esta herança não nos deve desresponsabilizar dos nossos actos porque, ao que trazemos, podemos sempre juntar, alterar ou eliminar.
Normalmente é isso que se faz, cada um de nós vai-se construindo ao longo da vida. Ajudam (desajudam) desde logo a família, os amigos, os grupos, a arte, as nossas opções (desde que conscientes) .
O meio é determinante para nós desenvolvermos as nossas competÊncias. Todos nós conhecemos casos de crianças que foram criadas em ambiente isolado de pessoas e cresceram com os animais o que se verifica é que se deslocam como eles e imitam os mesmos sons. Não conseguem falar apesar de terem herdado essa potencialidade.

Fiquem bem!

De Augusto Küttner de Magalhães a 25 de Julho de 2009 às 14:49
ISTO NÃO É MEU. ISTO NÃO É MEU, ISTO NÃO É MEU.
É VERGONHOSO ALGUÉM USAR O MEU NOME INDEVIDAMENTE.

NÃO UTLIZEM O NOME DOS OUTROS EM DISPARATES PRÓPRIOS.

QUEM O FEZ DEVE TER VERGONHA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

De Augusto Küttner de Magalhães a 25 de Julho de 2009 às 11:24
Tenho 60 anos e não admito que me falem assim!!!!!!!!!!!

De Augusto Küttner de Magalhães a 25 de Julho de 2009 às 11:21
De qualquer forma conheço bastante do trabalho de Descartes, de António Damásio, de João Lobo Antunes, e de outros e a ideia prevalecente é que geneticamente herdamos muito, para o bem e para o mal, dos nossos pais.

Claro que não somos iguais até são "eles" dois individuos, diferentes, mas não vimos puros para o bem e depois aqui estragamo-nos ou não. Já temos marcas nna nossa personalidade, ns nossas feições, em nós! Mas como é evidente 66% do que nos molda é aqui feito, e dá para escangalhar se formos criados sem contacto com outros sers humanos, ou se lidarmos com pessoas de mau caracter ou se nem educarmos formos...

De Marcolino a 25 de Julho de 2009 às 10:19
Sim!

De Augusto Küttner de Magalhães a 25 de Julho de 2009 às 08:22
Não! devia?

De ©Marcolino Duarte Osorio a 25 de Julho de 2009 às 05:11
Conhece as leis de Mendel?

De Augusto Küttner de Magalhães a 25 de Julho de 2009 às 02:09
Mas de qualquer forma há sempre uma marca genética, que se recebe dos pais, e evidentemente o ADN é diferente, como muitas outras situações, mas no inimo 33% é genético, o rsto, não será!

De ©Marcolino Duarte Osorio a 24 de Julho de 2009 às 09:25
Quem teve a vantagem de não ser filho único, e de poder viver em comunidade, com mais um, ou mesmo mais dois irmãos, sabe perfeitamente que cada um dos irmãos, filhos do mesmo pai e da mesma mãe, apresentam sentimentos, e procedimentos, bem diversos. É dos livros, quiçá experiência própria.

Quem tem a felicidade de poder ser pai de mais que dois ou mesmo três filhos, nascidos da mesma progenitora, sabe que cada um deles é tão igual, quanto as impressões digitais, de cada um dos dedos, das nossas mãos. Também é dos livros e da experiência própria.

Belo desafio a que o lê!

Marcolino

Luanda | Angola

Pesquisar
 
Destaque

 

Porque às vezes é bom falar.

Equipa

> Alexandra Vaz

> Ana Martins

> Cidália Carvalho

> Ermelinda Macedo

> Fernando Couto

> Jorge Saraiva

> José Azevedo

> Leticia Silva

> Maria João Enes

> Rui Duarte

> Sandra Pinto

> Sara Almeida

> Sara Silva

> Sónia Abrantes

> Teresa Teixeira

Julho 2009
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

13
15
16
18

19
20
22
23
25

26
27
29
30


Arquivo
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


Comentários recentes
O tempo, a arbitrariedade da vida e as fragilidade...
Obrigado SAPO.AO!!
E claro que é no "Cenas na net" mas este na homepa...
Torna-se 'repetitivo', mas no bom sentido que faze...
Presenças
Outras ligações
Música

Dizer que sim à vida - Carlos do Carmo:

 

Dizer que sim à vida - Luanda Cozetti: