18.8.09


  


Podia escrever sobre o que de bom existe, ou me faz sorrir.


Podia escrever sobre o que me faz ficar triste.

Mas neste momento só me apetece escrever sobre o vazio que sinto, aqui, dentro de mim. Sinto um frio, físico, dentro do meu peito. Acho que é mesmo na alma. Não sei. Neste momento não sei nada, só sei que tenho este vazio. Preenchê-lo com quê? Com um abraço? Uma festa na cara e uma mão pelo cabelo?

Não… não me imagino a deixar ninguém fazer-me isso. Não quero que entrem neste meu espaço, neste que é o meu sítio. Não quero ninguém que me roube a respiração, o sono, a fome. Quero ser só eu, auto-suficiente. Sei que me estou a habituar demais a esta solidão, mas gosto da minha companhia, não sinto falta de mais ninguém.

Quero estar aqui, no meu canto, só pôr a cabeça de fora quando me apetecer, só ouvir, estar ou fazer, quando cá dentro tiver vontade.

E não tenho. Neste momento a vontade é nula. Neste instante nem os lanches ao domingo em casa da avó me fazem sair daqui.

Faço as coisas por obrigação, faço tudo sem vontade.

Quero o sol. Quero os dias grandes, quero sentir na cara uma festa quente, que me faça abrir um sorriso. Preciso disso para viver…

Quero sair daqui, para um sítio onde ninguém me conheça, onde ninguém precise de mim. Quero sentir que também posso precisar de alguém. Preciso de precisar. Preciso de ter alguém que me pergunte como correu o meu dia, as minhas consultas, que se preocupe. Em quem e com quem eu possa ser eu, sem muros, tijolos, pedras e afins.

Sinto que estou a passar pela vida, em vez de ser ela a passar por mim. Preciso de me sentir viva outra vez. Acordar de manhã com vontade de sair da cama, sorriso aberto nos lábios e vida a correr-me nas veias.

Já dizia o outro:

"As ínfimas partículas que me fazem sentem-se tristes hoje, pelo todo de que fazem parte...".

 

Filipa Pouzada

 
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Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 17:37  Comentar

De ©Marcolino Duarte Osorio a 24 de Agosto de 2009 às 23:59
Olá Filipa!
Ganda confusão, digo eu...!
Mas é tão natural nesta fase de transição de uma escolha, não momentânnea, mas para sempre!
Depois tem outra coisa que aos homens custa um pouco menos: A parte sexual, o equilibrio sexual... Mulher sofre muito mais neste aspecto porque olha o sexo mais com o carinho e afectos do que apenas pelo equilibrio geral de todo o organismo. Homem também se sente confrangido pelos condicionalismos ancestrais sociais, mas lá bem no fundo, depois de satisfeito, logo parte em busca de outras aventuras porque, ao fim e ao cab há algo que ficou imcompleto.
Viver só não é viver em solidão, a não ser que sempre tenha gostado de alguém entrar nos seus espaços para ter motivo de tricas. Mas isso também se ultrapassa. São hábitos e os hábitos transformam-se!
Se optou por ficar sozinha porque não dava para coabitar com mais alguém veja isso com alegria, e esqueça os velhos hábitos, transformados em Cartilha Comportamental.
Solidão sente-se, por exemplo, num grande festival ao ar livre em que se evita tocar nos parceiros à nossa volta.
Os tempos são outros. Quantas e quantas vezes vemos alguém partilhar a casa com outras pessoas da mesma idade mas com regras definidas e tarefas determinadas em conjugação de esforços. Mas para isto há que ser humilde, há qe ter vontade de aceitar as outras duas ou mesmo três partes. Há que estabelecer certas regras de boa vizinhança
detro de casa. Hoje, em Portugal, isso já se vem verificando, tal como acontece noutros países.
O tal vazio, a tal solidão e os seus complementos, alcool, tabaco e pastilhas, desaparecem, para uma vida nova e sã reaparecer nas vidas que estão nesta fase de transição.
Olhe, quando estive no exército, estava a milhares de quilómetros de casa, e o pré não dava para alugar casa. Fui viver com uns camaradas de armas para uma República, a suadosa Républica do Sol Pôsto, perdida algures em Angola. Cada qual, mensalmente, geria as finanças, os teres e os haveres, da Republica. Era ver aquele que com menos dinheiro dava melhor viver aos restantes.

Existia um caderninho, tanto na dispensa como no frigorifico, para os "distraidos" assentarem o que ía a mais para os seus estômagos.... É uma experiência a ter em conta...!

Resto de boa semana!

Marcolino

De eu a 20 de Agosto de 2009 às 15:26
um texto excelente. uma realidade dolorosa.
Quem já não sentiu isto?
não somos todos humanos?

De Aníbal V a 20 de Agosto de 2009 às 00:03
Vazio, tristeza, isolamento, solidão, depressão. Fugir para a frente, ou pedir ajuda?

De Susana Cabral a 18 de Agosto de 2009 às 22:11
Olá Filipa

Bem, tenho mesmo de dizer que gostei imenso do teu texto. Infelizmente ou felizmente, porque nos obriga a repensar nas nossas opções, que existem dias e momentos que somos invadidos pelo vazio.
No final existe sempre sentimentos e pessoas que nos preenchem e nos fazem sentir tudo menos vazios.

Beijos e queijos

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