18.9.09


 


Pedro descobrira aquele refúgio por mero acaso. Uma improvável conjugação rochosa criara uma gruta de difícil acesso, dimensões consideráveis e quase impenetrável à luz. Fechou os olhos e avançou com movimentos delicados, tacteando o chão e as paredes, até encontrar uma zona de areia fina onde se sentou.

 

Ali, completamente só, despojado de tudo, envolto pela escuridão e pelo silêncio, pensou ter finalmente encontrado o que há muito tempo procurava: a tranquilidade e a paz. Sentiu-se muito leve, quase suspenso, liberto de demónios antigos que antes o asfixiavam. E assim se abandonou durante horas, numa renúncia confortável e reparadora.    

 

De súbito, um raio de luz rasgou a gruta e criou na areia um círculo de contornos precisos. No centro, um pássaro vermelho, resplandecente, fitava Pedro. Instintivamente fechou os olhos, mas não conseguiu mantê-los cerrados nem desviar o olhar daquela presença de vida tão esmagadora. Sentiu-se inquieto, desconfiado e com medo. Os sentimentos negativos tinham voltado. E Pedro percebeu que a gruta apenas lhe proporcionara tranquilidade, mas não lhe trouxera a paz.

 

José Quelhas Lima


 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 03:18  Comentar

De Aníbal V a 22 de Setembro de 2009 às 15:48
Conseguir a paz - senti-la, vivê-la, defendê-la, é muito difícil para o ser humano. É difícil dentro de cada um de nós e ainda mais difícil fora de nós.
Parece ser bem mais fácil fazer a guerra, transformar a nossa falta de paz interior numa guerra com os outros.
Infernos interiores passam, muito facilmente, a infernos exteriores, generalizados. E o outro, com facilidade, passa a ser o culpado de tudo o que de mau vai dentro de nós. O inferno é o outro e é necessário combatê-lo. Fazer a guerra, em busca e em nome da paz que não conseguimos construir.

De ©Marcolino Duarte Osorio a 18 de Setembro de 2009 às 17:48
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