13.4.10


 


A morte chega cedo


 


A morte chega cedo,


Pois breve é toda vida


O instante é o arremedo


De uma coisa perdida.


O amor foi começado,


O ideal não acabou,


E quem tenha alcançado


Não sabe o que alcançou.


E tudo isto a morte


Risca por não estar certo


No caderno da sorte


Que Deus deixou aberto.


 


Fernando Pessoa


 


 


 


É breve toda a vida e longa toda a morte…


A longevidade da morte é o que nos assusta… com a morte surgem sentimentos como culpa, raiva, medo, saudades, solidão, desespero, melancolia, ansiedade, e associado surge o choro… Estes sentimentos surgem porque nos apercebemos que é o fim, o fim de uma vida, o fim de tudo e que não mais existe… A morte é uma perda… A morte faz-nos questionar o porquê de tudo… Pode também a morte ser esperada ou inesperada, ao ponto de podermos dizer “eu já o esperava” ou então “não contava que acontecesse”.


Podemos dizer que morrer significa: deixar de viver… e o deixar de viver não significa só deixar de existir pois, por vezes, pessoas que embora ainda vivam por possuírem sinais vitais não vivem, sobrevivem!… ou seja, morreram para a vida! Acarretam muitas vezes um fardo e a morte para elas seria a sorte grande, outras vêem a morte como uma saída, uma fuga… uma fuga para os problemas!


A morte pode ser vivenciada de várias formas, nem todos reagimos da mesma maneira… O afecto, a relação que temos com a pessoa vai determinar a forma como encaramos a morte, a sua previsibilidade, a própria personalidade, entre outros factores… Contudo pode concluir-se que, em quase todos os casos é difícil encarar a morte de alguém…


Com a morte surge o luto, uma dor… e este luto pode ser comum, pois é normal todos passarmos por um processo de dor que é passageira, e por outro lado pode ser patológico - o luto permanece mal resolvido ao longo do tempo!


Todos passamos por um processo de luto… que acarreta algumas fases e algumas respostas! O luto é então um processo natural de vida… e constitui uma fase transitória… mas muitas vezes não sabemos como gerir todo este cocktail de sentimentos!


Deixo então uma questão: porque é tão difícil a morte, ao ponto de não sabermos o que dizer, por exemplo, a um amigo que perdeu alguém querido?


 


Liliana Pereira


 

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Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 00:05  Comentar

De Conceição a 17 de Abril de 2010 às 09:54
Questionei-me por muito e muito tempo sobre a perda de um dos meus gémeos. Sofri horrores, chorei desesperadamente, tentei encontrar uma resposta. Até hoje ( 9 anos passados) continuo a procurar... Neste momento, apenas sei que não vale a pena questionar, e não há palavras para a dor. Vai-se aprendendo aos poucos a sobreviver, mas nunca sem esquecer .E nesta luta pela sobrevivência aprendi que em vez de perguntar "porquê?" talvez a pergunta seja "para quê?". às vezes traz alivio outras...
E não há consolo, não há palavras. O melhor remédio, a melhor ajuda, é deixar quem perde sofrer a sua dor.

De Anónimo a 13 de Abril de 2010 às 23:52
A morte, como perda de alguém ou de algo, envolve sobretudo sentimentos e emoções.
Esses podem exprimir-se!
Quando somos capazes de o fazer, aliviamos o sofrimento e ajuda-nos a ultrapassar a perda

Ana

De Cidália Carvalho a 13 de Abril de 2010 às 21:16
Ninguém,
Muito enigmático o seu comentário, não nos quer desenvolver mais um pouco a sua ideia sobre a morte?

De ninguém a 13 de Abril de 2010 às 20:36


A morte é uma dificuldade de expressão...

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