30.4.10


A Morte é o desaparecimento de uma pessoa querida, é uma separação. E de carácter irreversível; dramática e definitiva, sem a esperança de um possível regresso. Uma mudança súbita que pode pulverizar a vida de quem fica.

São muitas as pessoas que permanecem fiéis à recordação da pessoa amada, passando o resto da sua vida como que “hibernados”, porque não conseguem fazer o luto nem aceitar a perda. Isto lembra-me um filme de Hollywood, Espírito do Amor, que aponta precisamente, de modo comovente, as etapas necessárias ao desapego. Demi Moore, depois de ter perdido o namorado num desastre, põe-se em contacto com o seu fantasma através de um médium (Whopi Goldberg), e, pouco a pouco, aprende a “deixá-lo ir”, para recomeçar a viver.

 

Um luto pode, por vezes, levar a evoluções inesperadamente positivas. Foi o que aconteceu com Mary Higgins Clark, a famosa autora americana de thrillers. Viúva aos 35 anos, com cinco filhos para criar, depois do choque inicial decidiu experimentar vender algumas novelas. Para distrair-se com a disciplina da escrita, mas também para ganhar a vida. Assim nasceram os primeiros romances. Agora tem 70 anos, é milionária e já vai no terceiro casamento.

A Morte põe, por vezes, fim a um conluio, a uma cumplicidade que havia consolidado o casal, mas bloqueado as energias dos parceiros. Bloqueio esse que impede a liberdade de cada um como pessoa, a sua autonomia, por viver apenas em relação ao outro, a pensar sempre no outro, esquecendo-se de si mesmo. Não será isso um certo tipo de Morte?

 

Sónia Moura Sequeira

 

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