27.3.12

 

Começo pelo final: estou feliz. Demorei a chegar aqui, tive estádios intermédios, tive momentos muito, muito maus. Mas hoje, agora, estou feliz. E este foi o caminho que percorri…

 

Desde que terminei o meu curso superior trabalhei sempre na mesma área: comunicação, marketing, publicidade. Em onze anos de vida profissional estive desempregada três semanas. Andei por várias agências de comunicação até que, há seis anos, cheguei à agência onde trabalho. Quando comecei a trabalhar aqui era uma miúda solteira, sem filhos e sem responsabilidades de maior. Tinha tempo, estava cheia de vontade de aprender, de trabalhar e de evoluir. Dois anos depois engravidei e tive uma filha. Deixei de ser responsável apenas por mim para passar a ser responsável por uma bebé e por uma famíliaem formação. Aprendia multiplicar minutos e a fazer esticar as horas. Continuei a trabalhar como sempre, a fazer viagens ao estrangeiro (a trabalho), a levar trabalho para casa. Continuei a adorar o que faço e a empresa onde trabalho.

 

Mas trabalho num mercado que foi muito afetado pela crise e a empresa começou a ressentir-se disso. Entretanto tive mais um filho e, durante a licença de maternidade, aprendi a costurar: comecei a fazer peças, a vendê-las e a ter muitas, muitas encomendas. Quando regressei ao trabalho senti que precisava de mais estabilidade financeira e fui à procura dela. Encontrei outro emprego muito rapidamente. Mudei de empresa mas não de funções (continuei a fazer o mesmo que fazia antes, num universo completamente diferente). Correu pessimamente: encontrei um ambiente de trabalho péssimo, uma filosofia empresarial carnívora e não gostei do que vi. Não me adaptei, andei tristíssima durante o tempo que lá estive. Mas como acredito que quem está mal muda-se, saí desta nova empresa ao fim de apenas 15 dias de trabalho. Falei com os meus ex-patrões e voltei à empresa, mas num regime diferente: teletrabalho, em part-time. Ganho muito menos dinheiro, mas trabalhoem casa. Não tenho horários, não tenho que gastar horas em trajetos e trabalho no sítio mais confortável do mundo.

 

Mas não é fácil. Obriga a muita disciplina e força de vontade porque as solicitações extra-trabalho são imensas. Tenho que ser extremamente organizada para conseguir chegar a todo o lado e fazer tudo o que me proponho fazer. Mas é ótimo poder estar onde quero, ser dona do meu tempo e fazer as coisas ao meu ritmo. Tem um lado mau: a solidão que por vezes se instala, mas que é fácil de combater com uma pausa para café.

 

Portanto, passei de uma vida com muita correria para estar em muitos sítios, para uma vida de muita correria para conseguir fazer tudo o que quero. Deixei de trabalhar só para terceiros e passei a ter um negócio meu, com tudo o que isso implica. O saldo é claramente positivo: sinto-me realizada enquanto mãe, mulher e profissional. E isso é tudo o que posso querer!

 

Marianne (articulista convidada)

 

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