11.11.15

Metrónomo-VeraKratochvil.jpg

Foto: Metrónomo – Vera Kratochvil

 

Life is a tapestry of hours
Forever mellowing in tone,
Where all things blend, even the longing
For hours I have never known.

Hazel Hall

 

A mim sempre me fascinaram os Tempos. Musicais. O que, não o parecendo, continua a ser falar do tempo, só que de um modo mais… melodioso.

Na terminologia musical, tempo é o nome dado à pulsação básica subjacente de uma composição musical qualquer. Cada “clique” do metrónomo corresponde a um tempo. Os tempos agrupam-se em valores iguais e fixam-se dentro de divisões das pautas musicais conhecidas como compassos.

Ou seja, cada um de nos é, no fundo, uma composição musical única, sem paralelo, regida pelo seu próprio metrónomo. Isto é, todos nós somos uma música, a nossa banda sonora, criada pelos vaivéns da nossa existência.

Se o compositor é um deus, ou cada um de nós, resolvam vocês porque eu não sei, de todo, o que responder. Cada um é cada um e eu sei de mim.

Sei que, está mesmo quase a fazer dois anos, tropecei com o meu tempo no de muitas outras pessoas e essas pessoas foram avisando que, bem… que o meu tempo estava mesmo, mesmo a acabar. A dar os últimos acordes, fraquinhos e aparentemente pouco afinados. Ou então que ia ficar um instrumento partido, abandonado, queimado pelas circunstâncias, paradoxalmente com muito tempo mas sem nenhuma composição musical coerente a amparar-me e dirigir-me.

Pois bem, mal sabiam que eu é que componho para mim. E trata-se de uma sinfonia, complexa, louca, moderna, dócil por vezes, perturbante noutros tempos. E longe de estar terminada e eu só pararei quando souber que está terminada.

O tempo musical, já dizia Stravinsky, é elástico. Na altura vi-me a executar um Largo (bastante lento). Agora, vou a iniciar um Allegro. Não tive que mexer nas notas e compassos, apenas o tempo real teve que se dobrar à vontade da melodia. Sou fiel à minha obra.

Repito, é o tempo real que se tem de adaptar.

Já vi suficiente número de seres humanos a fazer isso para saber que é possível. Eu amo a minha música. Adoro ouvi-la constantemente. Penso no milagre das harmonias, quando a nossa música se casa na perfeição com a de outro ser humano.

Sou feliz enfim.

E acredito que a minha sinfonia irá acabar, contra tudo e todos, com um Molto, Molto Allegro.

 

Laura Palmer

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 08:00  Comentar

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