10.8.15

Friends-LisaRunnels.jpg

Foto: Friends – Lisa Runnels

 

Fazer caixinha é assim uma espécie de bullying, mas entre adultos. É quando duas ou mais pessoas se juntam em grupinho, isolando uma única pessoa, que fica fora da “caixa” por razão nenhuma que não seja a maldade gratuita.

É um comportamento repleto de crueldade que muitas vezes vemos nas crianças, só que sem ponta de ingenuidade ou da inconsequência que (até) tentamos compreender, e algumas vezes desculpar, nos miúdos. Nos adultos é indesculpável.

É um comportamento quase premeditado, ou em alguns casos menos maldosos, “só” leviano e absurdo. Não é ingénuo porque é consciente e, pior de tudo, consequente.

E deixa marcas. E magoa. E faz sofrer.

É o “não brinco mais contigo” dos grandes. É o “não fales mais com ela/ele” dos adultos.

Quase sempre é protagonizado por um “cabecilha” (que pode usar calças ou saia), e a que nos mais novos chamamos “o líder”, aquele que manda na ganapada e que, ou vai ou delega, o bater ou roubar a sanduíche ao cristo que - lá está - se encontra fora da caixa.

Nunca fui vítima de bullying, em criança. Aliás, nessa idade idiota, onde tantas vezes podia ter subido ao pódio para receber o prémio “miúda-parva-mais-parva-não-há”, talvez tivesse um perfil mais inclinado para “agressora” que para vítima. [Felizmente, ao chegar ao 1º ciclo, apanhei logo umas miúdas mais velhas (ou mais vividas, ou menos parvas), que rapidamente me colocaram no meu lugar].

Anyway, não guardo memória de nenhum episódio marcante com esse nome estrangeiro e feioso, antes boas memórias de quem me ajudou a crescer e a “ter menos a mania”.

Já em adulta, embora pouco marcantes, lembro-me perfeitamente de pelo menos dois momentos em que vivi, e tive que conviver, fora da caixa. Foi meio triste, ainda que as “agressoras” fossem, na sua maioria, tão desinteressantes e vazias de conteúdo que, no fundo, eu tinha a consciência de que não perdia nada. E elas, sim, perdiam muito.

Estes episódios, assim como muitos outros a que tenho assistido ao longo dos anos mas com outras pessoas, fazem de mim, hoje e para sempre, uma caixa-aberta. Como observadora que sou, de quando em vez lá me vou apercebendo, em todas as vertentes da vida, que volta e meia e meia volta, lá aparece alguém com vontade de “minar” relações, afastar pessoas, isolar um(a) qualquer, com quem por um motivo fútil não lhe apraz conviver. Fútil, idiota e maldoso, é quase sempre o (não)motivo.

Assim que o meu radar os deteta, abro a minha caixa e tento alargá-la a todos. O mais possível. De preferência, agarrando os elementos já “minados” ou infetados pelo vírus da crueldade e da estupidez, que é ser mau só por ser.

Por isso, digo sempre aos meus amigos: em momento nenhum contém comigo para “fazer caixinha”.

Porque eu sou uma pick-up, uma “caixa-aberta” e nunca, por nunca, compactuarei com o “não brinques mais com ela/ele”, só porque sim.

 

Joana Pouzada

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 08:00  Comentar

Luanda | Angola

Pesquisar
 
Destaque

 

Porque às vezes é bom falar.

Equipa

Alexandra Vaz

Ana Martins

Cidália Carvalho

Ermelinda Macedo

Fernando Couto

Jorge Saraiva

José Azevedo

Leticia Silva

Rui Duarte

Sandra Pinto

Sandra Sousa

Sara Almeida

Sara Silva

Sónia Abrantes

Tayhta Visinho

Teresa Teixeira

Agosto 2015
D
S
T
Q
Q
S
S

1

2
3
4
5
6
7
8

9
11
13
15

16
18
20
22

23
25
27
29

30


Arquivo
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


Comentários recentes
O tempo, a arbitrariedade da vida e as fragilidade...
Obrigado SAPO.AO!!
E claro que é no "Cenas na net" mas este na homepa...
Torna-se 'repetitivo', mas no bom sentido que faze...
Presenças
Outras ligações
Música

Dizer que sim à vida - Carlos do Carmo:

 

Dizer que sim à vida - Luanda Cozetti: