7.9.15

StreetTango-FranHogan.jpg

Foto: Street Tango – Fran Hogan

 

A consciência é a cruz que eu carrego… ou será a cruz que me carrega a mim? Coexistimos arduamente numa dança de voltas e reviravoltas, em que uma se tenta afastar e a outra a puxa para si, como num tango argentino em que um quer e o outro não, e depois já não quer e o outro corre atrás e bloqueia a fuga. A rosa na boca é só para enfeitar e dramatizar.

Não é fácil viver permanentemente em consciência, tomar todas decisões, jogar pelo seguro, aspirando o certo, porque mesmo o certo nem sempre está intimamente ligado à consciência, pois não? Ironicamente, é preciso ter consciência para agir sem consciência (existe maior contradição?) porque isso não quer dizer que se traduza numa ação pejorativa para nós ou para o outro. Porque, de quando em vez, também é preciso montar na catapulta e atirarmo-nos para o outro lado do muro.

Seria, sem dúvida, mais fácil viver sem esta necessidade básica de tudo fazer em consciência, de tudo decidir tendo em conta a nossa vontade e a nossa necessidade, ou então – ainda melhor – nada ter que decidir, deixar a vida decidir por nós. Maravilha, não? Pois, mas somos animais racionais e necessitamos da ordem, além de que não somos crianças, aliás às crianças tentamos que tenham consciência de si e dos seus atos o quanto antes…

Por outro lado – e como existe sempre o outro lado da história - existe o fator medo que vai pairando neste meu relacionamento ambíguo, em que uma vai carregando a outra, porque às vezes há que correr (e muito), mas refugio-me nessa tal de consciência, com medo da perda, com medo da eminência da queda, ou simplesmente só com… medo! Na verdade, existe uma linha tão ténue, qual marca de água, que separa a consciência do medo, que me faz periclitar entre um lado e outro permanentemente.

Basicamente, consciente por ter cão e consciente por não ter.

E assim vou dançando pela vida fora, entre disputas, vitórias e perdas, com a tal senhora cruz, mesmo sabendo que o tango argentino não é o meu estilo preferido, mas ciente de que é impagável poder partilhar a minha almofada com ela.

 

Ana Martins

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 08:00  Comentar

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