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Balloons-CalinFdp.jpg

Foto: Balloons – Calin Fdp

 

A responsabilidade é uma das caraterísticas fundamentais que nos distingue, mais do que dos outros animas, dos nossos pares, porque convenhamos, ao longo da história de Humanidade, e ao longo da nossa vida, vamo-nos deparando com exemplos de (não) pessoas que agem como verdadeiros animais.

 

Ao meditar sobre este tema, percebi que tenho duas grandes responsabilidades que catalisam todas as outras responsabilidades intrínsecas a uma pessoa de boa índole e que sabe estar em sociedade.

A minha grande responsabilidade sou eu. Grande erro o meu que até há algum tempo atrás achava que a minha maior responsabilidade era criar o meu filho, com o todo o peso de quem cria sozinha uma criança, tomar decisões por dois, educar por dois, amar por dois, cuidar por dois, até que concluí que não estava a acertar… Era como se tivesse um balão na mão, preso por um fio, mas ao invés de lhe ir dando fio para subir no ar e baloiçar à música do vento, estava a apertá-lo de tal forma nos meus braços que, por sorte, muita sorte, não estoirou… Às vezes é preciso, simplesmente, respirar e esperar o melhor. Eu, no fundo, apenas posso ser a Mãe do meu filho e fazer o melhor que conseguir; e para fazer o melhor, para dar o melhor de mim, tenho que estar bem, tenho que olhar por mim, tenho que respirar, ter clareza mental para afastar os medos que me consomem os neurónios, e cuidar da minha saúde.

Da mesma maneira, só eu sou responsável por mim própria, pelas minhas decisões, perante mim e perante os outros, o que é suposto acontecer à medida que nos vamos tornando adultos. Todavia, na prática, isso nem sempre acontece, é sempre mais fácil responsabilizar os outros, chamar os outros à atenção, criticar - melhor dizendo, é bem mais fácil sacudir a areia do capote… Por isso, é minha responsabilidade não alimentar essa tendência, assumir os meus atos, as minhas decisões e as palavras que profiro.

 

Por outro lado, a maior responsabilidade da minha vida é não me sentir infeliz, ou pelo menos combater essa tendência. Não tenho que estar happy and shiny a toda a hora, mas tenho a grande responsabilidade de combater a infelicidade quando a sinto por perto, de perceber a sua origem para a debelar, para que não se infiltre em cada uma das minhas células, porque se isso acontece, é a miséria, o caos… e foi por lá que andei nos últimos anos.

Por isso, posso estar triste, porque a tristeza faz parte do ser saudoso, nostálgico e solitário que habita dentro de nós, mas infeliz não. Infelicidade é o caos, é regressar à escuridão, e isso eu não posso deixar acontecer comigo, já bastam os fatores externos que não posso controlar.

É claro que às vezes ainda aperto um bocadinho o balão nos braços com medo que o fio se solte e às vezes também estou ali um bocadinho com a luz a piscar, quase às escuras... Mas esforço-me para firmar os meus propósitos de responsabilidade comigo própria.

Sempre a aprender e a crescer, não é verdade?

 

Ana Martins

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 09:30  Comentar

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