15.7.19

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Foto: Guy - StockSnap

 

A dor escondida, por se ter perdido alguém na vida, é sempre a mais profunda, a mais dolorosa e a que mais nos consome. Quando persiste e se torna irreversível, vai-nos corroendo por dentro e por fora, traçando um penoso e longo caminho de suplício em que são predominantes a amargura e o sofrimento. É um sofrimento atroz que mina o corpo e a alma e que só poderá encontrar algum alívio no mundo dos afetos.

Nesse mundo de afeição, carinho e ternura, observando o que nos rodeia e percebendo então quem necessita de nós, será possível, mediante uma partilha de afetos, mitigar o sofrimento ou, até mesmo, transformar a dor em algo sublime para a vida, abraçando, por exemplo, uma causa social no exercício de uma atividade cívica, o que poderá constituir até uma forma de realização pessoal.

A dedicação e a disponibilidade para com os outros, tentando ir sempre mais além do que seria comum na dádiva dos afetos, poderão contribuir, como iluminação do interior do nosso ser, para suavizar o próprio sofrimento.

O desperdício da vida está naquilo que não damos e que, na maioria das vezes, está perfeitamente ao nosso alcance para podermos dar, ou seja, dar mais de nós, quer mediante ações de índole social, quer no âmbito de relações afetuosas e fraternas.

Na vida, a dor é, muitas vezes inevitável, mas é possível diminuí-la através de um simples dar e receber, numa relação de troca de afetos.

 

José Azevedo

 

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8.7.19

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Foto: Despair - Gerd Altmann

 

Quando vi este tema, disse: ui… é muito difícil escrever sobre dor! Porque será que pensei assim? Vejo a dor de diversos ângulos. As “minhas dores”, as “dores dos outros”, as “dores dos outros” que são também as “minhas dores”, e as “minhas dores” que são também as “dores dos outros”. Depois pensei: mas em que dores estou eu a pensar? Começo, assim, a entrar num campo muito amplo e complexo. Antes de mais, estamos a mover-nos no campo da subjetividade.

 

Qualquer tipo de dor é subjetivo, mas na vida temos a pretensão de pensar que a “minha dor” é sempre maior que a “dor dos outros”. Como a medimos? Que dor medimos? A dor fisiológica é considerada o 5º sinal vital e mensurável com escalas. Eliminar a dor fisiológica é um dos objetivos primordiais dos profissionais de saúde. Muito bem! Ninguém deve sofrer de dor; não é admissível nos tempos que vamos vivendo. Mas volto à questão inicial que me moveu para este campo da subjetividade: em que dores estou eu a pensar? Pois, pensar em dor leva-nos a pensar em campos escorregadios. Há um tipo de sentimento que dificilmente se explica, que eu, arriscadamente, denomino de “dor mental”. Essa não advém de lesão, mas é tão difícil de suportar! Tentamos explicar o que se sente e parece que só nós a podemos gerir. Não há analgésico que nos valha. Não há escalas que a meçam. Mas ela está lá, num sítio que também não sabemos apontar. Aparece como? Disfunção neurofisiológica? A justificação está sempre na neurofisiologia? Os neurotransmissores são sempre os responsáveis? A neurofisiologia ajuda-nos a perceber muita coisa, mas será que explica todo o tipo de “dor mental”. Se alguém me ajudar a denominar este tipo de sentimento de outra forma, agradeço! Eu sei que ela existe.

 

Volto ao início: estas “minhas dores” são também as “dores dos outros” e estas “dores dos outros” são também as “minhas dores”? São minhas e dos outros, se forem compreendidas! Entro no paradigma da compreensão para qualquer tipo de dor, o qual permite perceber como a pessoa vivencia as experiências e abandono o paradigma da explicação de natureza causal e mecanicista. Arrisco dizer que, no que diz respeito à compreensão da dor, ainda há um caminho muito longo a percorrer. Desculpem aqueles que compreendem todas as dores e que tudo e o melhor fazem para as aliviar. A estes, um grande bem-haja!

 

Ermelinda Macedo

 

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5.7.19

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Foto: Business - Public Domain Pictures

 

Estava um lindo dia de sol, com todas as flores a abrirem coloridas com a chegada da primavera, após longos dias de chuva. As gargalhadas e cantorias dos mais novos eram como melodia que encantava. Os serões a dois, até altas horas, eram a cereja no topo do bolo após longos dias de trabalho a fazer aquilo que se gosta, desta vez rentável, finalmente.

O correio chegou, e com ele a notícia de que o paraíso é só mesmo no céu. A revolta e a dor no peito invadiram o corpo e até agora teimam em não sair. A revolta mistura-se com angústia, com frustração, com vergonha.

A dor, essa, não se mistura com nada, mantém-se ali firme, para relembrar que os dias perfeitos são passageiros ou meras ilusões. Sentir que tudo se fez e se faz para que corra bem, sem magoar ninguém, em palavras ou ações, não vale de nada!

O coração está despedaçado e não é por nenhum desgosto de amor. Ou será?

Com esta dor, o amor próprio não existe. Apetece-me por fim a tudo. Não sei se aguento mais esta queda. Não agora, que parecia estar tudo a correr bem.

Porque me enganas, dor?

Porque sais da minha vida e voltas com todas as forças que tens e me destróis, agora por dentro e por fora?

 

Sónia Abrantes

 

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1.7.19

Girl - Jerzy Górecki.jpg

Foto: Girl - Jerzy Górecki

 

“Mas de que vale a vida se não é sentida

Mesmo que assim seja preciso

Que a dor nos vá matando devagar”

Ana Bacalhau & Diogo Piçarra – “O erro mais bonito”

 

É assim a vida. Um misto de alegria e dor, nem sempre em doses equilibradas.

É o passado que não volta e ainda se revê no presente.

É o pico de felicidade extinto que não teve a desejada continuidade.

São as ausências daqueles que tanto se queria e não mais retornarão.

As esperanças frustradas e os sonhos aniquilados…

Mas de que valeria a vida se não fosse efetivamente vivida e sentida? Que histórias existiram para contar? Pois se tudo faz parte, se tudo é caminho!...

 

Sara Silva

 

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