25.6.10

 

O sono é essencial para a vida e é a base de muitas funções fisiológicas e psicológicas do organismo, como sejam a reparação dos tecidos, o crescimento, a consolidação da memória e a aprendizagem. Sempre ouvimos dizer que dormir o suficiente é fundamental para ter um bom desempenho e manter a saúde.
 
Mas, quanto precisamos, afinal, de dormir? Trata-se de uma pergunta não só de interesse social, mas também científico que tem sido objecto de várias pesquisas. O número de horas anunciadas pela maioria dos especialistas é de 8 horas. Mas, enquanto algumas pessoas dizem que não se sentem descansadas com menos de 9 ou 10 horas de sono, outras sentem-se muito bem dormindo menos de 6 horas por noite. Então, a necessidade individual de sono depende de hábitos, ou dos nossos genes? Uma pesquisa publicada na revista Sciences refere a existência de influência genética no número de horas que cada individuo precisa para se sentir descansado.
 
Sabemos que nem sempre se consegue um sono reparador e de qualidade. Causa ou consequência disso são as perturbações do sono. Entendendo-se como perturbação, o distúrbio que causa problemas ao indivíduo nas suas interacções com o ambiente. Estas perturbações podem ter várias etiologias, e, de acordo com isso, podem dividir-se em quatro grupos:
1. Perturbações primárias que não derivam de nenhuma causa externa, originando-se no próprio indivíduo;
2. Perturbações decorrentes de transtornos psiquiátricos como a ansiedade, depressão, psicoses, etc.;
3. Perturbações que decorrem de alterações físicas em geral, que prejudicam o sono, como falta de ar, dores, desconforto;
4. Perturbações do sono induzidas pelo uso de medicação ou outras substâncias.  
 
Falando de sono, não podemos deixar de referir o sonho, pela estreita relação existente entre ambos. E, tal como o sono, o sonho também pode ser bom e apaziguador, ou, pelo contrário, todos já experimentamos sonhos que nos causaram inquietação. Freud, um dos autores que mais estudou esta temática, dizia que os sonhos, na sua maioria, são como que guardiões do sono e protegem a pessoa que dorme das excitações demasiado vivas e das tensões insuportáveis da vida quotidiana, que a impediriam de descansar (será por isso, segundo o autor, que a maior parte dos sonhos não nos acorda nem deles nos lembramos ao despertar), além de exprimir uma realização de desejos.
Foram muitos os discípulos de Freud que como ele se ocuparam do estudo dos sonhos. Wilhelm Stekel, dizia que “sonhar significa viver o passado, esquecer o presente e pressentir o futuro”. Jung, ao analisar inúmeros sonhos dos seus pacientes concluía que o sonho possui forças naturais que auxiliam o ser humano no seu processo de individualização. 
 
E, como tão bem diz o poema de António Gedeão, “O sonho comanda a vida”, serão os nossos sonhos, e a luta pela sua realização que nos ajudam a caminhar, crescer, e…viver? Eu acredito que sim.
 
Ana Santos
 
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