8.8.14

 

É aceite que o “delinquente” é-o porque as condições foram propícias. Talvez porque a família mostrou-se incapaz de educar e não teve o efeito pretendido de transmissão de valores. A figura paterna, mesmo que às vezes “presente”, mostrou-se ausente. O jovem não sentiu o “controlo” desejado. As “regras” e os limites estavam mal definidos. Estes jovens habitualmente sentem-se desajustados no seio familiar e veem-se numa relação de distanciamentos e indiferença.

Estas poderiam ser razões por detrás do fenómeno. Outras haverá. Senão vejamos.

A escola, mesmo que às vezes criticada pelo seu facilitismo, muitas das vezes falha porque não consegue cativar os jovens. A metodologia e as matérias são por vezes desinteressantes para eles, e já agora, para a população estudantil em geral. Não existe o desejo de aprender.

A inadaptação destes jovens à escola pode ter vários fatores associados, como uma autoimagem negativa, insucesso escolar, falta de apoio por parte dos pais e má relação com os agentes educativos.

Assim, este desamor e a ausência de ambição futura, promovem comportamentos delinquentes na escola. Parece ser uma forma de mostrar a revolta e permite evidenciarem-se de outra maneira e marcar uma posição.

O iniciar de uma atividade profissional precocemente, por volta dos catorze a dezasseis anos, o insucesso e abandono escolar, aparecem normalmente também associados à carreia desviante.

Outra razão por detrás de comportamentos criminosos é a influência dos amigos que é apontada como base para o início destes atos ilegais.

Obter objetos caros como sapatilhas ou calças de ganga de marcas conhecidas, que de outra forma não conseguiriam ter porque muitos provêm de meios desfavorecidos, é com frequência um motivo válido para estes “miúdos” começarem a roubar.

A adrenalina explica em muitas situações o início de atividades delinquentes. Muitos jovens afirmam cometer delitos pela “pica”, pelo prazer ou pelo divertimento, pela curiosidade ou por experimentarem algo de diferente.

Por um lado, Fréchette e LeBlanc falam-nos de uma síndrome de personalidade delinquente em que traços psicológicos como a inclinação criminosa, antissociabilidade e egocentrismo têm uma influência determinante na forma como o sujeito interpreta as circunstâncias sociais.

Por outro lado, a autora F. Digneffe defende que o sujeito é totalmente responsável pela construção do seu projeto de vida.

A quem responsabilizar ou o quê? Uma causa? Várias? Hereditárias, biológicas, ambientais ou sociais? Como podemos ajudar estes jovens? O que precisa ser reestruturado no nosso sistema social?

 

Ana Teixeira

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 08:00  Comentar

Luanda | Angola

Pesquisar
 
Destaque

 

Porque às vezes é bom falar.

Equipa

> Alexandra Vaz

> Cidália Carvalho

> Ermelinda Macedo

> Fernando Couto

> Helena Rosa

> Inês Ramos

> Jorge Saraiva

> José Azevedo

> Maria João Enes

> Marisa Fernandes

> Rui Duarte

> Sandra Pinto

> Sara Silva

> Sónia Abrantes

> Teresa Teixeira

Agosto 2014
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
12
14
16

17
19
21
23

24
26
28
30

31


Arquivo
2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


Comentários recentes
O tempo, a arbitrariedade da vida e as fragilidade...
Obrigado SAPO.AO!!
E claro que é no "Cenas na net" mas este na homepa...
Torna-se 'repetitivo', mas no bom sentido que faze...
Presenças
Ligações
Música

Dizer que sim à vida - Carlos do Carmo:

 

Dizer que sim à vida - Luanda Cozetti: