4.10.11

 

Quem estiver interessado no tema (desconfio se não tiver uma costela masoquista), encontrará de certeza na Internet textos e textos de conselhos para um retorno são às funções laborais. Eu com certeza não o fiz, nem o farei. Já explicarei porquê. Repare o leitor que utilizei o termo “são” mas poderia ter utilizado um termo que não se envolvesse na dicotomia ausência de doença – doença, ou até não ter utilizado um termo adicional de todo. Fi-lo propositadamente porque a minha experiência me diz que no início de setembro, quando por coincidência terminam as minhas férias, tenho uma “tendência” natural para ficar doente. Logo, não são. É evidente que quando fico doente, não remeto esta condição para a parte física da coisa. Se tanto, primeiro fico doente psicologicamente e tal, como consequência, leva-me inevitavelmente para a questão meramente física. Antes se tratasse de uma gripe apenas que em 3 dias estava resolvido...

 

É evidente que tenho as minhas estratégias que visam minorar o impacto da transição praia / cama / horários livres / família, para escritório / secretária / horários rígidos / chefe. Aconselho todos a fazerem o mesmo. Dai não ter ido à Internet procurar qualquer tipo de informação. Tenho uma “receita caseira” que me vai mais ou menos servindo e que se vai transmutando de ano para ano. Não sei se por uma questão de idade (minha) ou idade das minhas funções no local. Vou partilhar a receita deste ano, mas não a tentem replicar dado que não se garantem resultados e que a mesma poderá sofrer alterações, sem aviso prévio, para a próxima temporada.

 

1 – No primeiro dia de férias interiorizo o facto de que as mesmas terminarão brevemente;

2 – No primeiro dia de férias continuo a interiorizar o facto de que ganhar o euromilhões envolve probabilidades que não estão ao alcance da minha matemática, pelo que levar o resto da minha existência sem trabalhar mais, provavelmente não irá acontecer agora;

3 – No primeiro dia de férias dou graças ao facto de poder passar tempo com a família sem estar preocupado com horários de trabalho ou escolas. É claro que também interiorizo o facto que tal tem uma duração limitada, mas que é melhor “curtir” o momento do que estar a sofrer pelo seu término;

4 – No primeiro dia de férias decido que mesmo que caiam o Carmo e a Trindade, não vou gastar 2 minutos a pensar no que ficou por fazer no trabalho;

5 – No primeiro dia de férias inicia-se a tradição de (excepto em caso de indiscutível necessidade, evidentemente) não contactar nenhum colega de trabalho. Eles sabem que não podem levar a mal, dado que passo com eles 11 maravilhosos meses de companhia;

6 – No primeiro dia de férias decido que só voltarei a pensar em voltar à vida de trabalho no último dia de férias;

7 – No último dia de férias deito-me tarde, por forma a adormecer de tão estourado que não me permito dar voltas à cama a fazer contas – “faltam 7 horas para ir trabalhar”, “agora faltam 6”, “porreiro, 5 horas”, “será que vale a pena dormir por 4?” e geralmente acabava por aqui e dormia 3;

8 – No primeiro dia de trabalho não inicio nenhuma tarefa complicada. Acho mais simpático rematar pontas soltas de atividades do ano anterior e esperar que tal dure mais um ou dois dias, antes de oficialmente na minha cabeça iniciar um novo ciclo;

9 – No primeiro dia de trabalho interiorizo o facto de que se não fosse pelo meu emprego não conseguiria fazer e ter as coisas que faço e tenho quando saio do mesmo;

10 – No primeiro dia de trabalho não olho sequer para o calendário de atividades do ano. Se me perguntarem quando é o próximo feriado, dou-vos um exemplo: soube hoje, domingo, que vai ser na próxima quarta.

 

E pronto, aqui ficam 10 ingredientes da minha receita. Com certeza até serão mais mas na verdade não consigo pensar de momento nos outros, dado que após o ter escrito, de facto ainda não consegui interiorizar o ponto 2.

 

Rui Duarte

 

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29.1.09


 


Os resultados do estudo (mais um), feito por uma equipa sueca, eram esclarecedores.

Dei por mim a acenar com a cabeça para cima e para baixo em sinal de concordância com este triste resultado.



O universo eram 3000 trabalhadores, homens, na faixa etária entre os 18 e os 70 anos e num período de 10 anos.

O estudo tinha um duplo objectivo: 1.º avaliar a competência e o carácter de quem geria o seu trabalho, vulgo, chefes; 2.º os efeitos no comportamento e na saúde desses trabalhadores.



Revelou o estudo que existia uma relação directa entre os problemas cardíacos graves, e os maus chefes.

Uma chefia incompetente é um factor de risco com mais peso nas doenças de coração do que o tabaco, ou a falta de exercício.



Que chefes temos?

Que chefes queremos?



A falta de saúde económica actual, transversal a todos os sectores desde o produtivo ao financeiro, deixará pouca margem para que os cargos de chefia sejam exercido com os aspectos básicos e fundamentais: competência, profissionalismos e bom senso.

Os lugares são cada vez mais escassos e não se podem dar ao luxo de os perderem. Estabelecem como prioridade número um o cumprimento dos objectivos impostos.

Estes objectivos, estabelecidos a contar com o ritmo alucinante de trabalho dos empregados, arranhando muitas vezes a sua saúde fisica e mental, ignoram uma verdade absoluta: maior satisfação no trabalho, maior produtividade.

Trabalhadores descontentes, desvalorizados e injustiçados, entram em stress, passam por estados de hipertensão, culminando, não raras vezes, nas baixas sucessivas e prolongadas.



Compete às estruturas definir objectivos exequíveis com um sadio ritmo de trabalho, concessão de regalias facilitadoras das condições de vida dos trabalhadores e limpeza dos departamentos e direcções, dos chefes incompetentes.

Talvez assim, a máxima,"o trabalho dá saúde" volte a ser verdade.



Cidália Carvalho


 

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